CURTA AÍ

domingo, 3 de maio de 2009

DEPUTADOS TENTAM EVITAR EXPULSÃO DE RIO PARDO-RO

tropa para retirada em Rio Pardo-Ro

A pressão do governo federal em retirar cerca de cinco mil famílias de rondonienses de Rio Pardo, distrito de Porto Velho e distante 82 quilômetros de estrada de chão de Buritis, ganhou forte resistência em Rondônia. O que se viu na reunião de sábado na localidade foi uma união de forças políticas e comunitárias dispostas a enfrentar de frente a questão e lutar pelos direitos.
O presidente da Comissão de Regularização Fundiária da Assembléia Legislativa, deputado Maurão de Carvalho (PP), um dos símbolos desta batalha de manter os camponeses na região, contestou a anunciada intenção governista na expulsão dos colonos. “Aqui estão radicados trabalhadores. Gente que há mais de doze anos investe nas terras para o sustento da família”, destacou.
O parlamentar disse ainda, ao discursar no encontro que reuniu cerca de três mil pessoas, que o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, criou uma grande expectativa ao prometer uma resolução imediata para o problema. Maurão, ao lado do prefeito de Buritis, Elson Montes, e outros autoridades locais, participou de duas reuniões com autoridades federais, uma Brasília, diretamente com Minc, e outra em Porto Velho, na prefeitura de Porto Velho com diretores do Ministério.
No segundo encontro, segundo o parlamentar, as promessas mudaram. “Um diferente discurso anunciava a retirada gradativa dos bois, deixando a entender que depois seria a vez dos camponeses.” Ainda de acordo com Maurão, isso deixou as os participantes da primeira reunião em Brasília com perfil de mentirosos porque a boa notícia, sobre a legalização da área, já havia se espalhado entre os moradores do distrito.
“Telefonei para o ministro querendo saber a realidade dos fatos e o ministro reafirmou o que havia dito, garantindo a permanência dos moradores”, disse Maurão, destacando que a palavra do ministro tem que estar valendo, do contrário estamos vivendo num regime de anarquia.”
Ao lamentar uma informação sobre a colocação de uma possível barreira, impedindo o direito de ir e vir do cidadão, Maurão frisou que se isto ocorrer, de fato, “é necessário que os 24 deputados de Rondônia, mais a bancada federal, se instalem em Brasília até uma solução final do impasse.”
O prefeito de Buritis, Elson Montes, disse que se o governo federal quisesse ficar com a área deveria ter interferido quando havia apenas vinte famílias na região. “Hoje são milhares de famílias constituídas, que vivem do que produzem e que, quando aqui chegaram, não encontraram nenhuma placa sinalizando onde começava e onde acabava a reserva federal.

Alternativas para superar a crise
Entre outras opções para manter as terras com os colonos, o governador Ivo Cassol retransmitiu uma sugestão do vice-governador João Cahulla, para dificultar a construção da usina de Jirau, a partir de um projeto impedindo as obras na área estadual de Rio Vermelho, que precisa de aval da Assembléia e do Governo para ser liberada para execução dos serviços. Cassol pediu apenas o fim da derrubada de árvores na região. “Isso (as derrubadas) inviabiliza qualquer negociação”, disse, ao lembrar que todas as dizimações na floresta são documentadas por satélite.
A deputada Daniela Amorim disse que é preciso que a população tenha acompanhamento jurídico, “para não ser surpreendida.” A mesma opinião tem o deputado federal Ernandes Amorim. Ele também anuncia um projeto para diminuir a reserva como forma de obter a liberação da área.
O senador Expedito Júnior, que também vai apresentar projeto no Senado Federal, para tramitar conjuntamente com o da Câmara Federal de Amorim, disse que um erro do passado do governo federal em deixar a ocupação da área não pode representar um erro maior no presente.
Um dos discursos mais aplaudidos foi do presidente da Assembléia, Neodi Carlos, que anunciou apoio irrestrito do Legislativo em favor dos moradores de Rio Pardo.
Também estiveram no encontro os deputados Tiziu Jidalias, líder do governo na Assembléia, e o deputado Ribamar Araújo, que vem tendo constantes conversas com os moradores.
Atentamente, os milhares de agricultores acompanharam todos os pronunciamentos debaixo de chuva, que caiu à tarde em Rio Pardo.
A estrada, que liga a localidade a Porto Velho está intransitável. A única maneira de se chegar ao distrito por via rodoviária é passando por Buritis e enfrentando muita lama e buracos na estrada.
Os 82 quilômetros são percorridos em cerca de cinco horas, mas apenas com carros de tração nas quatro rodas. Os carros de passeio não conseguem avançar sequer um quilômetro.
ALE/RO – DECOM
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